Software Livre: Herói ou Ameaça?

Imagem software livre heroi ou ameaca

O Software Livre é um conceito amplo, porém direto e objetivo.

É um movimento social e político que estimula e empondera o domínio do usuário sobre a tecnologia, para que o mesmo seja livre, e não para que pense ser livre. Software Livre foi, é, e deve sempre ser uma causa social e democrática.

No Brasil o Software Livre ganhou força por conta da necessidade de inclusão digital que sempre existiu, principalmente no Norte e Nordeste do País. Inclusão Digital foi sempre uma barreira que separou classes sociais, e que muitas vezes serviu como ferramenta de exclusão social.

Por conta dessa necessidade de inclusão o Software Livre se tornou mais que uma causa de emponderamento do usuário, se tornou uma ferramenta de inclusão social e digital, fortalecendo a democracia digital dos que antes não tinham acesso e nem oportunidades que os fizessem se incluir nesse mundo que se torna cada vez mais tecnológico.

Não podemos simplesmente abandonar as várias histórias de pessoas  que hoje são profissionais de sucesso graças ao Software Livre, eu mesmo sou um desses. E perceba que quando eu digo “Profissional de Sucesso” não me refiro a “riqueza”, mas sim a trabalhar profissionalmente com o que gosta conseguindo economicamente viver bem com aquilo. Continue lendo

Uma Expotec para ficar pra história

Primeiramente vou falar um pouco sobre como tudo aconteceu até chegar a Expotec, se preferir pule 6 parágrafos.

Ano passado(2015), na Campus Party Brasil, em São Paulo, conheci pessoalmente o cara que mais me inspirou a ser de fato um ativista do Movimento Software Livre. Lembro-me de ter deixado em sua mesa uma Rapadura em um saquinho de dindim junto com meu cartão de visita.

Logo após fui falar com o mesmo, dizer que era um apreciador do seu trabalho e que tinha participado de uma de suas oficinas de  Zimbra (CONSEGI – DF – 2013) e até ajudei a galera a usar um pouco o terminal durante a oficina.

O mesmo não lembrava de mim, mas também, hoje como palestrante não me lembro de todo mundo que assiste minhas palestras hehehe.

Muito bem, ele me apresentou a Expotec e me disse que se eu conseguisse ir o meu ingresso estava garantido. Então, chegou Maio e fui por conta própria para a Expotec, de carro e me hospedando na casa de um amigo de um colega meu.

Aproveitei ao máximo o evento, ministrei palestras, oficinas, conheci a nobre comunidade PHP-PB e até bebi com eles. 😀

Mas, infelizmente não consegui participar de todos os momentos de desconfêrencia, participando apenas do jantar do Software Livre na sexta-feira a noite junto com vários outros amigos do Movimento: Anahuac, Paulo Henrique Santana, Valéria Barros, Kamila Brito, Hagadir, entre outros.

Mas enfim, a Expotec este ano(2016) aconteceu de 25 a 27 de Agosto, onde tive o enorme prazer de receber o convite para compor a programação como um dos “Palestrantes Destaques” dos Eixos Software Livre e Desenvolvimento.

Eu como sou azilado submeto logo 5 talks, além de já ir participar de 1 painel, e também do encontro das comunidades de PHP, e a convite do nobre Cyrille Grandval auxiliá-lo em sua oficina de Certificação da Zend.

Beleza, as 5 talks são aceitas, mas apenas 3 são colocadas na grade. Anahuac disse que é porque não queria me explorar hahahhahaha.

Alguns meses antes do evento é anunciado um KeyNote, eu esperava bastante que fosse o Stallman, mas para minha enorme supresa era ninguém mais ninguem menos que Rasmus Lerdorf. Caraca véi, eu vou conhecer o cara que criou o PHP. Hahahah mal esperava o que estava por vir.

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O fim de um FISL para o Inicio de outro

Na semana passada participei do 17º FISL (Fórum Internacional de Software Livre) que aconteceu na Universidade Católica do Rio Grande do Sul entre os dias 13 a 16 de Julho de 2016 em Porto Alegre-RS.

Desde muito novo, quando comecei a entrar na área de Tecnologia, que diga-se de passagem era com Software Livre através da Casa Brasil, e um pouco depois através do Projeto e-Jovem.

Nunca pude ir ao FISL por motivos óbvios de custos financeiros com transporte, vendo que Fortaleza e Porto Alegre são 2 extremos dentro desse Brasilzão, e outros custos, como alimentação e hospedagem também me impediam de poder participar desse tão grande encontro da Comunidade de Software Livre.

Esse ano tive o prazer de ser convidado pra esse mega evento. Foi até interessantemente engraçado, porque no dia 1º de Abril, isso mesmo, dia da mentira, eu recebi um email do nobre companheiro Paulo Henrique Santana me convidando para ser palestrante no FISL. Claro que no momento de tão grande emoção nem percebi que poderia ser “pegadinha” tendo em vista que era 1º de Abril, heheheh. Não pude conter a emoção e saí correndo e pulando dentro de casa com aquela sensação que não se pode resumir com a palavra felicidade.

Me preparei psicologicamente durante 3 meses e meio para fazer uma grande participação, e claro, ser lembrado pelos participantes não só como um palestrante, mas como um Cabra da Peste Ativista do Movimento Software Livre que era desenrolado. Nos preparativos para o evento submeti algumas atividades, umas quatro na verdade hehehe.

Para minha felicidade uma das minhas melhores e mais acessíveis atividades foram aceitas, a oficina/workshop “Programando com PHP enquanto come Rapadura” uma atividade um tanto diferente de outras, pois nessa eu realmente levo rapadura pros participantes degustarem enquanto aprendem um pouco sobre uma linguagem de programação livre e que é usada por 82% da web.

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Software Livre: por onde começar – Parte II

Olá companheiro, que bom que está aqui novamente, voltamos hoje a nossa série de artigos sobre o SL com o artigo Software Livre: por onde começar – Parte II, no post anterior foi explicado como funciona o relacionamento entre Hardware, Kernel, e Software, e as funcionalidades de cada um. Então já que agora sabemos como funciona um Sistema Operacional, vamos ver como surgiu o GNU.

GNU

Mas vamos voltar um pouco mais atrás no tempo e saber que por volta dos anos 60 os computadores existiam quase que exclusivamente só para o Governo e para grandes empresas, e nesse tempo não era comum pensar em Software e Hardware como duas coisas separadas, na verdade computador era a coisa toda, a tecnologia era tida como se fosse uma só.

Passado o tempo, tínhamos então o Software e Hardware sendo o que cada um é, a parte lógica e a parte física, respectivamente, mas, mesmo assim, quando algum produto era vendido o custo do software já estava incluso no hardware, ou seja, venda casada(se bem que hoje não tá muito diferente né).

Passou-se mais algum tempo e o software agora passava a ser comercializado separado do hardware, algo bom, já que o cliente poderia comprar seu produto e instalar nele o software que desejasse(e funcionasse), é como se houvesse um mercado só para softwares.

Vale lembrar que nessa época já existiam algumas pessoas com a ideia de softwares de código aberto, que dessem liberdade para estudá-lo, alterá-lo, distribuí-lo, era uma ideia interessante já que o que tava tendo muito eram empresas fazendo softwares não livres para funcionarem em determinados produtos, porém sem a liberdade de acessar e modificar o código-fonte de acordo com suas vontades e necessidades. Eram desejos de libertar os softwares, ou seja, desejo por Software Livre, hehehe.

Pois bem, em 1984 já existiam alguns projetos de Software Livre organizados, e com alguns fundamentos legais, financeiros, éticos, e filosóficos estabelecidos. Nesse ano um cabra desenrolado chamado Richard Stallman, que trabalhava com negócio de Inteligência Artificial no MIT(Instituto de Tecnologia de Massachusetts), esse macho gostava de compartilhar seu conhecimento e seus códigos, e por causa dessas características se invocou com a empresa onde trabalhava e largou o emprego. Stallman queria que por direito os usuários pudessem estudar, copiar, modificar, e redistribuir os softwares, e por isso ele elaborou a licença GPL.

Richard Stallman

Stallman escreveu um artigo chamado “Manifesto GNU” que explicava em detalhes o Projeto GNU, mas para institucionalizar essa ideia e poder obter fundos para desenvolver e garantir proteção aos softwares ele fundou a Free Software Foundation, nasce então aí o Movimento Software Livre.

 

Para ir diretamente contra os “Direitos Autorais”(Copyright), a FSF cria o copyleft, ou seja os “Esquerdos Autorais”, e cria também as 4 liberdades do software:

Liberdade 0 – A liberdade de executar/rodar/usar o programa, para qualquer propósito.

Liberdade 1 – A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

Liberdade 2 – A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo.

Liberdade 3 – A liberdade de alterar o programa, e liberar suas alterações, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

E vale lembrar que esse ano o Projeto GNU completou 30 anos. Clique no link e dê uma olhada no vídeo, https://www.youtube.com/watch?v=brFdViPSsi4

GNU 30 anos

Isso é tudo pessoal, ficamos por aqui, sabendo então o que é o Projeto GNU, no próximo post da série conheceremos a história do kernel Linux, e seu envolvimento com o Software Livre. Espero que tenham gostado, deixem sua opinião nos comentários abaixo. 🙂

Saudações Livres a todos(as)! 🙂